Peptídeos e hormônio do crescimento

Insulina

A insulina é o hormônio peptídico que o pâncreas libera para tirar a glicose do sangue e levá-la para os músculos, a gordura e o fígado. Como medicamento, ela é produzida por tecnologia de DNA recombinante e injetada para tratar o diabetes. Os produtos vão de análogos de ação rápida, usados junto com as refeições, a análogos de ação prolongada que cobrem um dia inteiro ou mais.

Fora da medicina, alguns fisiculturistas injetam insulina porque ela suprime a degradação de proteínas musculares e direciona glicose e nutrientes para o músculo. O fato mais importante sobre ela é que a hipoglicemia (baixo nível de açúcar no sangue) é sua reação adversa mais comum, e a hipoglicemia grave pode causar convulsões, perda de consciência e morte. Todas as bulas de insulina trazem esse alerta, e a fisiologia é a mesma, tenha ou não diabetes quem a usa.

Esta página resume o que mostram as bulas da FDA (agência reguladora dos EUA), os ensaios clínicos, os dados de centros de informação toxicológica e os relatos de caso publicados. Ela tem fins apenas educativos e não é aconselhamento médico.

Propriedade Detalhe
Classe do medicamento Hormônio peptídico; insulina humana e análogos de insulina
Produtos de exemplo Humalog (lispro), NovoLog (asparte), Humulin R (regular), Humulin N (NPH), Lantus (glargina), Tresiba (degludeca)
Via Injeção subcutânea; a insulina regular e alguns análogos de ação rápida também por via IV sob supervisão médica
Concentração A maioria dos produtos, 100 unidades/mL (U-100); alguns também existem em formas concentradas
Uso aprovado Melhorar o controle glicêmico em adultos e crianças com diabetes mellitus
Meia-vida (bulas) Curta e dependente do tipo: cerca de 1–1,5 h após lispro ou insulina regular por via subcutânea; cerca de 25 h para degludeca em estado de equilíbrio
Reação adversa mais comum Hipoglicemia, que pode representar risco de vida
Situação nos EUA Os análogos exigem receita; Humulin R U-100 e Humulin N têm bulas de venda livre; não consta da Lista III (Schedule III)
Situação na WADA Proibida em todos os momentos (S4.4.2, insulinas e insulinomiméticos)

O que é

A insulina humana é um peptídeo de duas cadeias com cerca de 5,8 kDa. A bula do Humulin R informa sua fórmula como C₂₅₇H₃₈₃N₆₅O₇₇S₆, com peso molecular de 5,808 kDa, produzida em uma cepa laboratorial não patogênica de E. coli (bula do Humulin R).

Os análogos de insulina são versões modificadas da molécula humana. As alterações não mudam a forma como a insulina age depois que está no sangue; elas mudam a velocidade com que ela sai do local da injeção. Cada bula descreve a modificação:

Insulina Alteração em relação à insulina humana (bula) Efeito sobre a absorção
Regular (Humulin R) Nenhuma; idêntica à insulina humana Referência
NPH (Humulin N) Mesma molécula, cristalizada com protamina e zinco em uma suspensão turva Os cristais se dissolvem lentamente, gerando um perfil intermediário
Lispro (Humalog) Os dois aminoácidos nas posições B28 e B29 são trocados de lugar Absorvida mais rápido que a insulina regular
Asparte (NovoLog) Um aminoácido em B28 substituído por ácido aspártico Absorvida mais rápido que a insulina regular
Glargina (Lantus) Um aminoácido alterado em A21 e duas argininas adicionadas ao final da cadeia B; formulada em pH ≈4 Absorção lenta e prolongada, sem pico pronunciado
Degludeca (Tresiba) B30 removido; um ácido glutâmico mais uma cadeia lateral de ácido graxo C16 ligados em B29 Forma multi-hexâmeros que criam um depósito de liberação lenta; também se liga à albumina

Fontes: bulas do Humalog, NovoLog, Humulin N, Lantus e Tresiba.

Mecanismo de ação

Todas as bulas descrevem a mesma ação central. A insulina reduz a glicose no sangue ao:

  • aumentar a captação de glicose pelo músculo esquelético e pela gordura;
  • suprimir a produção de glicose pelo fígado;
  • inibir a degradação de gordura (lipólise) e de proteínas (proteólise), e estimular a síntese de proteínas.

A insulina também desloca o potássio do sangue para dentro das células, e é por isso que as bulas alertam para a hipocalemia (potássio baixo no sangue).

A insulina é relacionada ao fator de crescimento semelhante à insulina tipo 1, mas é diferente dele. Veja as páginas sobre IGF-1, IGF-1 LR3 e hormônio do crescimento.

Comparação dos tipos de insulina

As insulinas são agrupadas de acordo com a rapidez com que começam a agir e com quanto tempo seu efeito dura após uma injeção subcutânea. As bulas ressaltam que esses tempos são apenas orientações gerais. Eles variam consideravelmente entre pessoas e na mesma pessoa, conforme o local da injeção, o fluxo sanguíneo, a temperatura, o exercício e a dose.

Tipo Exemplo (bula da FDA) Início Efeito máximo Duração do efeito Momento em relação à refeição segundo a bula
Ação rápida NovoLog (asparte) Não informado em número 1–3 h 3–5 h 5–10 minutos antes de uma refeição
Ação rápida Humalog (lispro) Mais rápido que a insulina regular Pico sérico 30–90 min Mais curta que a da insulina regular Até 15 minutos antes ou logo após uma refeição
Ação curta Humulin R (regular) ≈30 min (faixa 10–75 min) ≈3 h (faixa 20 min–7 h) ≈8 h (faixa 3–14 h); ≈18 h com doses altas em pessoas com obesidade Cerca de 30 minutos antes de uma refeição
Ação intermediária Humulin N (NPH) Mais lento que a insulina regular Mediana 6,5 h (faixa 2,8–13 h) Mediana 14,5 h (faixa 9,5–19,3 h) em uma comparação da bula do Lantus Não vinculada às refeições
Ação prolongada Lantus (glargina) Absorção lenta e prolongada Sem pico pronunciado Mediana 24 h (faixa de 10,8 a mais de 24 h) Uma vez ao dia
Ação prolongada Tresiba (degludeca) Aparece no sangue ≈1 h após a primeira dose Mediana 12 h em estado de equilíbrio Pelo menos 42 h após a última de 8 doses diárias Uma vez ao dia

Dois detalhes da bula do Humulin R são importantes para a segurança. Primeiro, em pessoas com obesidade que receberam doses maiores, o efeito durou cerca de 18 horas em vez de cerca de 8. Segundo, a insulina regular por via intravenosa começa a agir em cerca de 10–15 minutos (bula do Humulin R). Assim, uma insulina “de ação curta” pode continuar baixando a glicose até tarde da noite ou no dia seguinte.

Farmacocinética

A insulina é absorvida a partir do local da injeção e depois eliminada principalmente pelo fígado, com captação e degradação também nos rins, nos músculos e na gordura. Sua meia-vida após a injeção subcutânea reflete sobretudo a velocidade com que ela sai do depósito, e não a velocidade com que o organismo a elimina.

Produto Tempo até a concentração máxima Meia-vida aparente Outros dados da bula
Humalog (lispro) 30–90 min (voluntários saudáveis) ≈1 h Biodisponibilidade absoluta 55–77%
NovoLog (asparte) Mediana 40–50 min 81 min Pico médio de 82 mU/L vs. 36 mU/L com insulina regular na mesma dose
Humulin R (regular) 36–150 min; ≈3 h com doses de 50–100 unidades em pessoas com obesidade ≈1,5 h (faixa 40 min–7 h); ≈20 min a 1 h por via IV Biodisponibilidade 48–89%
Humulin N (NPH) Mediana ≈4 h (faixa 1–12 h) ≈4,4 h (faixa 1–84 h) A bula observa que uma meia-vida real não pode ser estimada com precisão
Tresiba (degludeca) Mediana 9 h em estado de equilíbrio ≈25 h Mais de 99% ligada à albumina; estado de equilíbrio após 3–4 dias

Fontes: bulas do Humalog, NovoLog, Humulin R, Humulin N e Tresiba.

Uso médico aprovado

Todas as bulas de insulina analisadas aqui têm essencialmente a mesma indicação: melhorar o controle glicêmico em adultos e crianças com diabetes mellitus. O Tresiba é aprovado a partir de 1 ano de idade. As doses são individualizadas com base no monitoramento da glicose no sangue, nas necessidades metabólicas e na meta do tratamento, e as bulas determinam que qualquer mudança no esquema de insulina seja feita sob estrita supervisão médica.

O benefício da terapia intensiva com insulina está bem estabelecido no diabetes tipo 1. No Diabetes Control and Complications Trial (DCCT), 1.441 pacientes foram randomizados para terapia com insulina intensiva ou convencional e acompanhados por uma média de 6,5 anos (DCCT, NEJM 1993):

Desfecho Efeito da terapia intensiva
Retinopatia nova (coorte de prevenção primária) −76% (IC de 95%: 62–85%)
Progressão da retinopatia (coorte de intervenção secundária) −54% (IC de 95%: 39–66%)
Microalbuminúria −39% (IC de 95%: 21–52%)
Neuropatia clínica −60% (IC de 95%: 38–74%)
Hipoglicemia grave Aumento de duas a três vezes

O DCCT mostra o dilema central da insulina: baixar mais a glicose traz benefícios e, ao mesmo tempo, mais hipoglicemia.

O que a pesquisa mostra sobre o músculo

Insulina e proteína muscular

O melhor resumo do efeito direto da insulina sobre o músculo humano é uma metanálise de 2016 de estudos de infusão de insulina, com 25 estudos e 173 pessoas na análise agrupada (Abdulla et al., Diabetologia 2016):

Medida Resultado com insulina
Síntese de proteína muscular, no geral Sem efeito significativo
Síntese de proteína muscular, quando a oferta de aminoácidos foi aumentada Aumentada
Degradação de proteína muscular Reduzida, independentemente da oferta de aminoácidos
Balanço proteico líquido Melhorado

Os autores concluíram que a insulina tem um papel “permissivo” na síntese de proteína muscular quando os aminoácidos estão elevados, e um papel claro na redução da degradação. São estudos de clamp curtos e rigorosamente controlados, nos quais se infundiu glicose para evitar a hipoglicemia.

Nenhum ensaio da insulina como medicamento para ganho muscular

Não encontramos ensaios clínicos randomizados controlados que testassem a insulina injetada em relação a tamanho muscular, força ou desempenho em pessoas saudáveis ou treinadas. A justificativa para o uso não médico se baseia na fisiologia da renovação proteica descrita acima, e não em ensaios de desfecho. Qualquer alegação de ganhos musculares específicos com insulina não tem respaldo em dados controlados em humanos.

Efeitos colaterais e riscos

Hipoglicemia

As bulas apontam a hipoglicemia como a reação adversa mais comum de todas as insulinas. Elas afirmam que a hipoglicemia grave pode causar convulsões, pode levar à perda de consciência e pode representar risco de vida ou causar a morte. Ela também pode prejudicar a concentração e o tempo de reação, por exemplo ao dirigir (bula do Humulin R).

Segundo as bulas, o risco é maior quando o efeito hipoglicemiante da insulina está no máximo. Ele aumenta com:

  • mudanças no padrão das refeições, como refeições puladas ou atrasadas ou um teor diferente de carboidratos;
  • mudanças na atividade física;
  • mudanças em outros medicamentos;
  • comprometimento renal ou hepático.

Os sintomas de alerta podem ficar atenuados após hipoglicemias repetidas, no diabetes de longa duração, com lesão nervosa e com betabloqueadores.

A American Diabetes Association classifica a hipoglicemia em três níveis (ADA Standards of Care 2026):

Nível Definição
Nível 1 Glicose abaixo de 70 mg/dL (3,9 mmol/L) e de pelo menos 54 mg/dL (3,0 mmol/L)
Nível 2 Glicose abaixo de 54 mg/dL (3,0 mmol/L); o limiar em que começam os sintomas neuroglicopênicos (confusão, raciocínio prejudicado), exigindo ação imediata
Nível 3 Um evento grave com alteração do estado mental ou físico que precisa da ajuda de outra pessoa para ser tratado, com qualquer nível de glicose

Mesmo sob supervisão médica, eventos graves são comuns. Nos ensaios do Lantus, a hipoglicemia sintomática grave (que exigiu a ajuda de outra pessoa) ocorreu nas seguintes proporções de pacientes (bula do Lantus):

População do estudo Duração Lantus Comparador
Diabetes tipo 1, adultos (3 ensaios) 16–28 semanas 6,5–10,6% NPH 5,2–15,0%
Diabetes tipo 1, crianças 26 semanas 23,0% NPH 28,6%
Diabetes tipo 2, adultos (3 ensaios) 28 semanas–5 anos 0,4–7,8% NPH 1,1–11,9%
Ensaio ORIGIN, adultos com doença cardiovascular ou fatores de risco Mediana de 6,2 anos 5,6% Tratamento padrão 1,8%

Em nível populacional, um estudo de vigilância do CDC (Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA) estimou 97.648 atendimentos por ano em prontos-socorros nos EUA (IC de 95%: 64.410–130.887) por hipoglicemia e erros relacionados à insulina em 2007–2011 (Geller et al., JAMA Intern Med 2014). Quase um terço (29,3%) resultou em internação. Efeitos neurológicos graves foram documentados em uma estimativa de 60,6% dos atendimentos, e mais da metade tinha glicose no sangue de 50 mg/dL ou menos. Os desencadeantes mais comuns foram a redução da ingestão de alimentos e a injeção do produto de insulina errado.

Hipocalemia

Todas as insulinas deslocam o potássio para dentro das células e podem causar hipocalemia. A bula do Humalog alerta que a hipocalemia não tratada pode causar paralisia respiratória, arritmia ventricular e morte (bula do Humalog). As bulas recomendam monitorar o potássio no uso intravenoso e em pessoas em risco, como as que usam medicamentos que reduzem o potássio.

Outros alertas das bulas

  • Hipersensibilidade. Pode ocorrer alergia generalizada grave, incluindo anafilaxia.
  • Lipodistrofia e amiloidose cutânea. Injeções repetidas na mesma área podem engrossar ou afinar a gordura sob a pele, ou causar depósitos de amiloide. Injetar nessas áreas pode reduzir a absorção, e passar depois para um local não afetado pode causar hipoglicemia.
  • Ganho de peso e edema. Ambos constam como reações adversas; retenção de líquidos e insuficiência cardíaca são uma preocupação específica quando a insulina é combinada com tiazolidinedionas (agonistas de PPAR-gama).
  • Nunca compartilhe canetas, agulhas ou seringas. O compartilhamento traz risco de transmissão de infecções transmitidas pelo sangue.
  • Erros de medicação. As bulas alertam para trocas acidentais entre produtos de insulina.

As contraindicações são o uso durante um episódio de hipoglicemia e a hipersensibilidade ao produto.

Interações

A bula do Humalog agrupa as interações da seguinte forma (bula do Humalog):

Efeito Exemplos da bula
Aumentam o risco de hipoglicemia Outros medicamentos para diabetes, inibidores da ECA, BRAs, fibratos, fluoxetina, inibidores da MAO, salicilatos, octreotida, antibióticos sulfonamídicos
Reduzem o efeito da insulina Corticosteroides, danazol, diuréticos, estrogênios, glucagon, niacina, progestagênios, somatropina (hormônio do crescimento), simpaticomiméticos como o albuterol, hormônios tireoidianos
Aumentam ou reduzem o efeito Álcool, betabloqueadores, clonidina, lítio
Mascaram os sintomas de hipoglicemia Betabloqueadores, clonidina, guanetidina, reserpina

Vários medicamentos desta lista, incluindo o hormônio do crescimento, o albuterol e o danazol, também aparecem no uso não médico de substâncias para melhorar o desempenho. Combiná-los com insulina altera o controle da glicose de formas difíceis de prever.

Superdosagem e dados de centros de informação toxicológica

As bulas afirmam que o excesso de insulina pode causar hipoglicemia e hipocalemia, que episódios graves com coma, convulsão ou comprometimento neurológico podem ser tratados com glucagon ou glicose IV, e que a hipoglicemia pode voltar após uma aparente recuperação, de modo que podem ser necessários aporte contínuo de carboidratos e observação (bula do Humulin R).

Dados publicados sobre superdosagens:

  • Tendências nos centros toxicológicos. Nove centros de informação toxicológica dos EUA, abrangendo quatro estados, registraram 3.819 exposições à insulina em 2000–2009. As exposições anuais aumentaram 279% ao longo da década, e 68% foram erros terapêuticos não intencionais (Spiller et al., Ann Pharmacother 2011).
  • Erros não intencionais. Em 642 superdosagens não intencionais de insulina atendidas por três centros toxicológicos, houve hipoglicemia em 15,9%, e 17,4% foram tratados em um pronto-socorro. Não foram registrados desfechos graves nem mortes (Beuhler et al., Clin Toxicol 2013). Eram, em sua maioria, pessoas com diabetes que cometeram um erro de dosagem, e não grandes superdosagens intencionais.
  • Grandes superdosagens. Uma revisão sistemática de 45 casos publicados de superdosagem de insulina (1986–2017) constatou que 44 foram internados, por uma mediana de 94 horas (faixa 12–721 h), e um terço precisou de terapia intensiva. As complicações incluíram comprometimento cerebral intermitente (73%), hipocalemia (49%), outros distúrbios eletrolíticos (42%) e toxicidade cardíaca (9%). Um paciente teve dano cerebral hipoglicêmico permanente e um morreu (Johansen e Christensen, Basic Clin Pharmacol Toxicol 2018). Às vezes foi necessária glicose IV por até uma semana.
  • Mortes. Uma revisão da literatura forense sobre 109 casos de superdosagem envolvendo insulina ou hipoglicemiantes orais, examinados após a morte, encontrou insulina em 95,4%. Desses, 65% foram suicídios, 23% acidentes e 12% homicídios. O achado microscópico mais comum foi depleção ou necrose neuronal, em 29,1% (Manetti et al., Biomedicines 2022).

Uso fora da medicina

Quão comum é

Em uma pesquisa on-line de 2009 com atletas de força, os pesquisadores descreveram 41 usuários de insulina sem diabetes (Ip et al., Curr Sports Med Rep 2012):

  • 95,1% também usavam esteroides anabolizantes, e usavam em média 16,2 substâncias para melhorar o desempenho por ano;
  • 56,8% relataram hipoglicemia, e um relatou ter perdido a consciência;
  • 37,8% obtinham insulina em farmácias comunitárias, e 80,6% disseram que era “fácil” de conseguir.

Em um estudo italiano com 92 fisiculturistas recreativos, 43% usavam hormônios regularmente. Desses, 38% usavam insulina, geralmente junto com esteroides. O colesterol HDL era mais baixo em usuários de insulina ou hormônio do crescimento, e o uso de insulina foi especificamente associado a uma razão ALT/AST de enzimas hepáticas mais alta (Di Girolamo et al., Sports Med Open 2024).

Relatos de caso de danos

Os casos publicados descrevem o mesmo padrão: hipoglicemia grave, às vezes resistente ao tratamento, em homens jovens e, fora isso, saudáveis.

  • Suíça, 1998. Um fisiculturista de 30 anos injetou insulina de ação curta antes de uma competição internacional. Ele perdeu a consciência, teve convulsões e foi intubado. A glicose continuou baixa apesar da glicose IV até que ele recebeu mais glicose e glucagon na terapia intensiva (Konrad et al., 1998).
  • 1994. Um caso de hipoglicemia autoinduzida por insulina em um fisiculturista foi relatado no Archives of Internal Medicine (Reverter et al., 1994).
  • Reino Unido, 2003. Médicos relataram um caso para destacar os perigos do uso de insulina por fisiculturistas, observando que seu atrativo era ser indetectável pelos testes da época (Evans e Lynch, BJSM 2003).
  • França, 2019. Um fisiculturista de 30 anos chegou em coma por hipoglicemia grave de causa desconhecida. Ele precisou de infusões repetidas de glicose, e a causa foi depois atribuída a injeções ocultas de insulina (Heidet et al., J Emerg Med 2019).

Os fatores de risco das bulas ajudam a explicar por que esses casos acontecem. O risco de hipoglicemia aumenta com refeições puladas ou alteradas, mais atividade física e medicamentos que alteram o efeito da insulina, e quem usa fora da medicina muitas vezes enfrenta os três sem monitorar a glicose. Doses maiores também podem agir por muito mais tempo que os tempos “típicos” da tabela acima.

“A insulina não pode ser detectada.” Isso valia para os testes de rotina do início dos anos 2000, mas desde então os laboratórios antidoping validaram métodos de espectrometria de massas que identificam análogos sintéticos de insulina (lispro, asparte, glulisina, metabólito da glargina, degludeca) na urina (Thomas et al., Metabolites 2021). A insulina humana em si é idêntica à produzida pelo próprio organismo e continua mais difícil de distinguir.

  • Estados Unidos. A insulina não consta como substância controlada na Lista III (Schedule III) (21 CFR 1308.13). Os análogos de insulina exigem receita, enquanto o Humulin R U-100 e o Humulin N estão publicados no DailyMed como bulas de medicamentos de venda livre.
  • Esporte. A Agência Mundial Antidopagem (WADA) lista as insulinas e os insulinomiméticos em S4.4.2, moduladores metabólicos, proibidos em competição e fora dela. São substâncias não especificadas (Lista Proibida 2026 da WADA).

Pontos principais

  • Um hormônio, muitas velocidades. As insulinas de ação rápida, curta, intermediária e prolongada diferem principalmente na velocidade com que saem do local da injeção, de cerca de 3–5 horas de efeito para a asparte a mais de 42 horas para a degludeca.
  • A hipoglicemia é o risco determinante. As bulas a apontam como a reação adversa mais comum de todas as insulinas, e ela pode causar convulsões, coma e morte. Mesmo em ensaios supervisionados, eventos graves afetaram 6,5–10,6% dos adultos com diabetes tipo 1 tratados com Lantus em 16–28 semanas.
  • Os efeitos podem durar mais do que o esperado. Doses altas de insulina regular agiram por cerca de 18 horas em vez de cerca de 8, e a hipoglicemia pode voltar após uma aparente recuperação.
  • As evidências sobre o músculo são fisiológicas, não clínicas. A insulina reduz a degradação de proteína muscular, mas nenhum ensaio controlado mostra que ela aumente a massa muscular ou melhore o desempenho em pessoas saudáveis.
  • Danos documentados no uso não médico. A maioria dos usuários sem diabetes entrevistados relatou hipoglicemia, e relatos de caso descrevem coma, convulsões e intubação em fisiculturistas jovens.
  • Proibida no esporte. A WADA proíbe todas as insulinas em todos os momentos, e os análogos sintéticos já podem ser detectados na urina.

Fontes

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  2. Eli Lilly and Company. Humulin N (insulin isophane human) injectable suspension, prescribing information. DailyMed.
  3. Eli Lilly and Company. Humalog (insulin lispro) injection, prescribing information. DailyMed.
  4. Novo Nordisk. NovoLog (insulin aspart) injection, prescribing information. DailyMed.
  5. Sanofi-Aventis U.S. Lantus (insulin glargine) injection, prescribing information. DailyMed.
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