Peptídeos e hormônio do crescimento

TB-500 (timosina beta-4)

O TB-500 é um peptídeo sintético vendido pela internet e por algumas clínicas para recuperação de lesões, reparo de tendões e músculos e resistência física. Costuma ser comercializado como “timosina beta-4 sintética”, mas essa denominação está errada. A FDA (agência reguladora dos EUA) e os laboratórios de controle antidoping identificam o TB-500 como um fragmento curto de 7 aminoácidos da timosina beta-4 (Tβ4) com um grupo acetila adicionado: Ac-LKKTETQ. A timosina beta-4 propriamente dita é um peptídeo de 43 aminoácidos encontrado naturalmente em muitos tipos de células humanas.

O fato mais importante: nenhum estudo jamais administrou TB-500 a seres humanos. A revisão da FDA de 2026 não encontrou ensaios clínicos, dados farmacocinéticos em humanos nem estudos toxicológicos em animais para essa substância. Os estudos em humanos com “timosina beta-4” testaram a molécula natural completa, que é uma substância diferente, principalmente na forma de colírio ou de tratamentos para a pele. Os dois maiores desses estudos não atingiram seus objetivos principais. O TB-500 é proibido no esporte em todos os momentos.

Esta página resume o que a revisão da FDA, os estudos em animais e os estudos com timosina beta-4 realmente mostram. O conteúdo tem caráter apenas educativo e não constitui aconselhamento médico.

Propriedade Detalhe
Classe Peptídeo sintético de 7 aminoácidos (Ac-LKKTETQ), um fragmento da timosina beta-4; em investigação
Molécula de origem Timosina beta-4: um peptídeo natural de 43 aminoácidos (peso molecular 4.982)
Aprovação O TB-500 não faz parte de nenhum medicamento aprovado pela FDA e não é aprovado na UE, no Reino Unido, no Canadá nem na Austrália; a timosina beta-4 completa também continua em investigação
Estudos do TB-500 em humanos Nenhum identificado pela FDA (2026)
Meia-vida Não há dados em humanos para o TB-500. Em cavalos, os níveis plasmáticos deixaram de ser mensuráveis 6–10 h após uma injeção de 10 mg. Timosina beta-4 completa administrada por via IV em humanos: 0,5–2,1 h
Mecanismo Contém a região de ligação à actina (LKKTET) da timosina beta-4; não está comprovado que o TB-500 em si seja ativo
Situação na manipulação (compounding) nos EUA Não consta da lista 503A de insumos a granel (aqueles que as farmácias de manipulação dos EUA podem usar); a equipe técnica da FDA recomendou não incluí-lo; um comitê consultivo votou 8–6 a favor em julho de 2026; sem decisão final da FDA
WADA Proibido em todos os momentos (S2.3, fatores de crescimento); “a timosina-ß4 e seus derivados, por exemplo, TB-500” são citados expressamente

O que é

Timosina beta-4, o peptídeo de origem

A timosina beta-4 foi sequenciada pela primeira vez em 1981, a partir de timo de bezerro. Ela tem 43 aminoácidos, peso molecular de 4.982 e uma extremidade inicial acetilada (Low et al., PNAS 1981). No início, pensava-se que fosse um hormônio do timo. Trabalhos posteriores mostraram que ela está presente em muitos tipos de células e no sangue, na saliva, nas lágrimas e no líquido de feridas (documento informativo da FDA, 2026).

Sua função mais bem estabelecida ocorre dentro das células. A timosina beta-4 se liga a moléculas isoladas de actina (actina G) na proporção de uma para uma e impede que elas se juntem em filamentos. Os filamentos de actina formam o esqueleto interno da célula, que as células usam para se mover e mudar de forma. Em plaquetas humanas em repouso, pelo menos metade de toda a actina não está polimerizada, e a maior parte dela é retida pela timosina beta-4 (Safer et al., J Biol Chem 1991).

TB-500, o fragmento

Um produto veterinário chamado TB-500 surgiu por volta de 2011 e foi comercializado para melhorar o desempenho em corridas de cavalos e de galgos (resumo da FDA de Ho et al. 2012). Quando laboratórios antidoping o analisaram, o principal ingrediente eram os aminoácidos 17–23 da timosina beta-4 com um grupo acetila adicionado na extremidade inicial (Esposito et al., Drug Test Anal 2012; Ho et al., J Chromatogr A 2012).

Característica Timosina beta-4 (Tβ4) TB-500
Comprimento 43 aminoácidos 7 aminoácidos (Ac-Leu-Lys-Lys-Thr-Glu-Thr-Gln)
Peso molecular 4.982 g/mol 889,0 g/mol (base livre); 949,1 g/mol (sal de acetato)
Origem Produzida naturalmente pelo corpo Somente sintética
Testada em humanos Sim: estudos de fase 1–3 (IV, tópica na pele, colírio) Não
Dados de segurança Dados de segurança de estudos de fase 1–3 Nenhum: a FDA não identificou estudos em humanos nem estudos toxicológicos em animais

Duas formas são vendidas, a base livre e o sal de acetato, e a FDA as trata como substâncias distintas. A FDA também constatou que “TB-500” não é um nome oficial de medicamento e que já encontrou diferentes sais e derivados, incluindo moléculas ativas diferentes, vendidos sob o mesmo nome. Por isso, um paciente pode receber uma substância diferente daquela que foi prescrita (documento informativo da FDA, 2026).

“O TB-500 é timosina beta-4 sintética.” Muitos vendedores usam os dois nomes como se fossem equivalentes. A FDA afirma com clareza que a timosina beta-4 e o TB-500 “não são a mesma substância”. Não se pode presumir que os resultados dos estudos com timosina beta-4 se apliquem ao TB-500.

Mecanismo. A sequência do TB-500 contém LKKTET, a região de ligação à actina da timosina beta-4. Já se sugeriu que o fragmento poderia imitar os efeitos de ligação à actina da molécula de origem, mas isso é uma hipótese. A FDA também observa que a adição de um grupo acetila altera a carga, o tamanho e o comportamento de ligação de um peptídeo. Assim, resultados obtidos com o fragmento simples (LKKTETQ) não podem ser aplicados diretamente ao TB-500 acetilado (documento informativo da FDA, 2026).

Farmacocinética

Não há dados farmacocinéticos do TB-500 em humanos. O que se sabe vem de cavalos, ratos e sistemas enzimáticos de laboratório (documento informativo da FDA, 2026):

Achado Fonte
Após 10 mg por via subcutânea em cavalos, o TB-500 no plasma atingiu pico de 0,05–0,08 ng/mL em 1–2 h e deixou de ser mensurável em 6–10 h Cavalos (Ho et al. 2012)
Degradado pela remoção sucessiva de aminoácidos a partir da extremidade final, gerando Ac-LKKTET, Ac-LKKTE, Ac-LKKT, Ac-LKK e Ac-LK Fígado, plasma e urina de cavalo
Ac-LK foi o principal metabólito na urina de ratos em 0–6 h; Ac-LKK ainda era detectável até 72 h Ratos, injeção intraperitoneal (Rahaman et al. 2024)
Os mesmos produtos de degradação se formam no soro humano e em preparações de fígado e rim humanos In vitro

Os metabólitos de longa duração importam para o controle antidoping, não para o efeito. Nenhum estudo mostrou por quanto tempo o TB-500 ou seus fragmentos agem no corpo.

Para comparação, a timosina beta-4 completa já foi medida em pessoas. Em um estudo de fase 1 com uma versão recombinante (produzida por engenharia genética) administrada por via IV a voluntários saudáveis, os níveis máximos ocorreram 3–15 minutos após a dose e a meia-vida foi de 0,5–2,08 h. Os níveis não se acumularam ao longo de 10 dias de dosagem diária (Wang et al., J Cell Mol Med 2021).

Situação regulatória

  • Não é um medicamento aprovado. O TB-500 não tem monografia farmacêutica nos EUA e não é componente de nenhum medicamento aprovado pela FDA. A FDA não encontrou produtos de TB-500 aprovados em outros 10 países verificados, nem nenhum autorizado pela Agência Europeia de Medicamentos (documento informativo da FDA, 2026). O colírio de timosina beta-4 completa ainda está em estudos de fase 3 (ClinicalTrials.gov NCT05555589).
  • Lista de segurança da FDA. A lista da FDA de insumos a granel que podem apresentar riscos significativos à segurança inclui “timosina beta-4, fragmento (LKKTETQ), também conhecido como TB-500” entre as propostas de inclusão retiradas. Ela afirma que a FDA “não identificou nenhum dado de exposição humana” e que não há informações sobre “se causaria dano se administrado a humanos” (FDA, atualizado em 22 de abril de 2026).
  • Revisão do comitê consultivo em 2026. Uma farmácia de manipulação havia proposto a inclusão do TB-500 como injeção de 3 mg/mL para cicatrização de feridas e depois retirou a proposta de inclusão. A FDA o revisou por iniciativa própria (Federal Register, processo FDA-2025-N-6895). A equipe técnica da FDA recomendou não incluir nenhuma das duas formas na lista 503A de insumos a granel, citando caracterização química deficiente, ausência de evidências de eficácia, ausência de dados de segurança em humanos e risco de imunogenicidade (documento informativo da FDA, 2026).
  • O comitê discordou. Em 23 de julho de 2026, o painel votou 8–6, com 1 abstenção, para recomendar o TB-500. A votação não é vinculante. A FDA ainda teria de aceitá-la e concluir um processo normativo com aviso e consulta pública (notice-and-comment) antes que as farmácias pudessem manipulá-lo legalmente. Em 31 de julho de 2026, ele ainda não havia sido incluído (Steinzor, AJMC 2026).
  • Esporte. A Lista Proibida 2026 da Agência Mundial Antidopagem (WADA) cita “a timosina-ß4 e seus derivados, por exemplo, TB-500” na seção S2.3, fatores de crescimento, proibidos dentro e fora de competição (Lista Proibida 2026 da WADA).

O que a pesquisa mostra

O TB-500 em si: apenas dados de laboratório e em animais

As evidências sobre o TB-500 na forma em que é vendido são escassas e conflitantes:

  • Cicatrização de feridas, cultura de células. Em um teste de ferida por raspagem (scratch) em fibroblastos cultivados (células do tecido conjuntivo), o TB-500 a 50 µg/mL não acelerou o fechamento da ferida em comparação com o controle. Um de seus produtos de degradação, o Ac-LKKTE, teve um pequeno efeito. Os autores sugerem que relatos anteriores de cicatrização podem refletir esse metabólito, e não o próprio TB-500 (Rahaman et al., J Chromatogr B 2024).
  • Feridas na pele, em camundongos idosos. O fragmento simples, não acetilado, LKKTETQ, aplicado em feridas na pele de camundongos de 26 meses, melhorou o reparo de forma semelhante à timosina beta-4 completa (Philp et al., Wound Repair Regen 2003). Isso não era TB-500, e a FDA observou que o estudo não tinha dados de dose-resposta.
  • Tendão de Aquiles, em ratos. Em um estudo de 2026, 32 ratos tiveram o tendão de Aquiles seccionado e reparado e depois receberam por via intraperitoneal TB-500 (60 µg/kg/dia), BPC-157, ambos ou nada durante quatro semanas. O grupo do TB-500 teve carga de ruptura significativamente maior e melhores escores teciduais do que os controles. A combinação com BPC-157 não trouxe benefício adicional (Biçer et al., Jt Dis Relat Surg 2026). Os autores classificaram o estudo como exploratório.

Ao revisar a literatura, a FDA não encontrou estudos in vivo em animais que testassem o TB-500 para cicatrização de feridas e concluiu que “atualmente faltam evidências farmacológicas não clínicas” (documento informativo da FDA, 2026). Não se pode presumir que nenhum desses resultados se aplique a pessoas.

Timosina beta-4 completa: estudos em humanos

A timosina beta-4 em si já foi testada em pessoas, principalmente por empresas que a desenvolvem como medicamento, entre elas a ReGenTree (colírio) e a Beijing Northland Biotech (uma forma recombinante IV). São esses os estudos que o marketing do TB-500 costuma citar, mas eles não usaram TB-500:

Estudo Desenho e n Produto e dose Resultado principal
Voluntários saudáveis (Ruff et al. 2010) Fase 1, randomizado, controlado por placebo; 4 coortes de 10 Tβ4 sintética IV, 42–1.260 mg em dose única e depois diariamente por 14 dias Nenhuma toxicidade limitante de dose nem evento adverso grave
Voluntários saudáveis (Wang et al. 2021) Fase 1, randomizado, duplo-cego; 84 participantes Tβ4 recombinante IV, 0,05–25 µg/kg em dose única ou 0,5–5 µg/kg diariamente por 10 dias Eventos adversos não mais comuns do que com placebo
Úlceras venosas de perna (Guarnera et al. 2010) Fase 2, duplo-cego, controlado por placebo, com escalonamento de dose; 73 pacientes Tβ4 tópica Segurança semelhante à do placebo; segundo os autores, uma dose de 0,03% “pode ter o potencial” de acelerar a cicatrização
Olho seco (Sosne & Ousler 2015) Fase 2, randomizado, controlado por placebo; 72 participantes Colírio a 0,1% (RGN-259) por 28 dias Ambos os desfechos primários não atingidos; algumas medidas secundárias melhoraram
Olho seco, ARISE-2 (NCT02974907) Fase 3, controlado por placebo; 601 pacientes Colírio a 0,1%, 4 vezes ao dia por 28 dias Desfechos primários: variação do desconforto +0,07 vs. −0,04; variação da coloração +0,07 vs. −0,01 (IC de 95% sobrepostos)
Olho seco, ARISE-3 (NCT03937882) Fase 3, controlado por placebo; 700 pacientes Colírio a 0,1%, 4 vezes ao dia por 14 dias Desfechos primários: variação da coloração −0,41 vs. −0,46; variação do desconforto −0,4 vs. −0,4
Ceratopatia neurotrófica, SEER-1 (Sosne et al. 2022) Fase 3, randomizado, duplo-mascarado; 18 pacientes Colírio a 0,1% Cicatrização completa em 4 semanas em 6 de 10 vs. 1 de 8 com placebo (p = 0,0656, não significativo)
Infarto do miocárdio (IAMCSST/STEMI) (Zhang et al. 2025) Randomizado, duplo-cego, controlado por placebo; 96 pacientes Tβ4 recombinante após a reabertura da artéria Nenhuma diferença significativa no tamanho do infarto no geral; redução apenas nos 43 pacientes que receberam a dose em até 8 h

A ceratopatia neurotrófica é uma doença em que nervos da córnea danificados levam a feridas que não cicatrizam na superfície do olho. O padrão nesses estudos é consistente: estudos pequenos e análises secundárias ou de subgrupos parecem positivos, enquanto os maiores estudos não mostraram benefício claro em seus desfechos principais.

A ideia de reparo cardíaco surgiu de trabalhos em camundongos. Depois da ligadura de uma artéria coronária, a timosina beta-4 melhorou a sobrevivência das células cardíacas e a função do coração (Bock-Marquette et al., Nature 2004). O estudo de STEMI de 2025 citado acima é o primeiro teste randomizado publicado dessa ideia em pacientes, e seu resultado geral foi negativo.

Crescimento muscular, resistência e desempenho

Nenhum estudo em humanos testou o TB-500 ou a timosina beta-4 para massa muscular, força, resistência ou desempenho atlético. A FDA lista crescimento muscular, resistência, fôlego e desempenho entre as alegações feitas por vendedores on-line, e não entre os achados de pesquisas (documento informativo da FDA, 2026).

Efeitos colaterais e riscos

O que foi relatado em humanos

Como o TB-500 nunca foi estudado em pessoas, seus efeitos colaterais são desconhecidos. O banco de dados de eventos adversos da FDA (FAERS) não tinha notificações sobre TB-500 até março de 2025. Outro banco de dados de queixas da FDA continha duas notificações sobre produtos com “TB-500 e BPC-157 misturados”, sem detalhes de segurança (documento informativo da FDA, 2026).

Para a timosina beta-4 completa, os estudos acima relataram principalmente eventos leves. No estudo ARISE-3 com colírio, com 700 pacientes, não houve eventos adversos graves em nenhum dos dois grupos (ClinicalTrials.gov NCT03937882):

Evento Colírio de Tβ4 (n = 350) Placebo (n = 349)
Qualquer evento adverso não grave 47 (13,4%) 31 (8,9%)
Dor no local de instilação 23 (6,6%) 16 (4,6%)
Redução da acuidade visual 12 (3,4%) 7 (2,0%)
Eventos adversos graves 0 0

Esses dados de segurança se referem ao colírio e a cursos curtos IV do peptídeo completo. Eles não dizem nada sobre injeções repetidas de TB-500.

Sem dados toxicológicos

A FDA não encontrou estudos de toxicidade aguda, de doses repetidas, de toxicidade genética, reprodutiva ou de carcinogenicidade do TB-500 em nenhuma espécie. Ela concluiu que “os possíveis riscos de segurança associados ao uso dessas substâncias em humanos são desconhecidos” (documento informativo da FDA, 2026).

Crescimento de vasos sanguíneos e câncer: uma preocupação teórica

A timosina beta-4 promove a migração celular e a formação de novos vasos sanguíneos, que também são etapas da disseminação de tumores. Em camundongos, células de melanoma modificadas para produzir timosina beta-4 extra formaram tumores maiores (21,7 mm vs. 13,3 mm) e cerca de quatro vezes mais metástases pulmonares (46,7 vs. 10,9 nódulos) do que as células de controle (Cha et al., JNCI 2003). Isso mostra o papel da timosina beta-4 do próprio organismo dentro das células tumorais. Não mostra que o TB-500 injetado cause câncer. Os autores do estudo de fase 1 com a forma recombinante observaram que a timosina beta-4 “tem potencial de promoção tumoral”, enquanto outros estudos sugerem efeitos antitumorais (Wang et al., J Cell Mol Med 2021). Nenhum estudo testou essa questão para o TB-500.

Imunogenicidade e qualidade do produto

A principal preocupação de segurança da FDA é a imunogenicidade: a possibilidade de o corpo produzir anticorpos contra um peptídeo injetado. As reações podem variar de anticorpos inofensivos a anticorpos com risco de vida. Em princípio, anticorpos neutralizantes também poderiam bloquear o peptídeo correspondente do próprio organismo. A FDA afirma que essa resposta “pode ser intensificada” quando peptídeos são injetados, que a injeção subcutânea costuma ser mais imunogênica do que a administração IM ou IV e que o risco pode ser ampliado pela aglomeração dos peptídeos (agregação) e por impurezas da síntese (documento informativo da FDA, 2026).

A revisão da FDA dos documentos de qualidade encontrou o seguinte:

  • um certificado de análise público do TB-500 base livre testou apenas aspecto, identidade e pureza;
  • o certificado do acetato enviado com a proposta de inclusão não testou identidade, teor, agregados nem endotoxinas bacterianas (toxinas bacterianas que causam febre);
  • a própria indicação informava uma fórmula molecular e um número CAS alternativo que não correspondiam a nenhuma das duas formas.

O TB-500 é vendido on-line em pó de 2–15 mg, rotulado como apenas para uso em pesquisa (documento informativo da FDA, 2026; Steinzor, AJMC 2026).

Populações sem dados

Não há dados sobre o TB-500 na gravidez, na amamentação, em crianças, em pessoas com histórico de câncer nem em pessoas que usam outros medicamentos. Nada se sabe sobre interações.

Pontos principais

  • Não é o mesmo que timosina beta-4. O TB-500 é um fragmento sintético de 7 aminoácidos (Ac-LKKTETQ) do peptídeo natural de 43 aminoácidos. A FDA afirma que os dois são substâncias diferentes.
  • Nenhum dado em humanos para o TB-500. A FDA não encontrou ensaios clínicos, dados de farmacocinética em humanos nem dados de exposição em humanos.
  • Os estudos com o peptídeo de origem foram decepcionantes. A timosina beta-4 completa foi bem tolerada, mas os dois grandes estudos de fase 3 em olho seco (601 e 700 pacientes) não mostraram benefício claro em seus desfechos principais.
  • Resultados em animais e em laboratório são conflitantes. O TB-500 melhorou o reparo do tendão em um estudo com ratos, mas não ajudou no fechamento de feridas em cultura de células. Seus efeitos podem vir de um produto de degradação.
  • A segurança é desconhecida. Não há estudos de toxicologia nem de carcinogenicidade. As principais preocupações da FDA são imunogenicidade, impurezas e identidade inconsistente do produto.
  • Proibido no esporte; situação indefinida na manipulação nos EUA. A WADA o proíbe em todos os momentos. A equipe técnica da FDA se opôs a permitir seu uso em manipulação, um comitê consultivo votou por estreita margem a favor e a FDA não tomou uma decisão final.

Relacionados: BPC-157, muitas vezes vendido em misturas com TB-500. A timosina alfa-1 é um peptídeo do timo sem relação, com nome parecido.

Fontes

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  2. Food and Drug Administration. Pharmacy Compounding Advisory Committee; notice of meeting; establishment of a public docket; request for comments—bulk drug substances nominated for inclusion on the section 503A bulk drug substances list. Docket FDA-2025-N-6895. Federal Register. 16 de abril de 2026;91:20465 (FR Doc 2026-07361). Federal Register.
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